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Como ler um Termo de Evidências (exemplo comentado)

As cinco seções do relatório que acompanha um documento assinado eletronicamente, o que cada campo prova e o que ele não prova.

Equipe WS Sign · Atualizado em outubro de 2026
Resposta curtaO Termo de Evidências é o relatório anexado ao PDF assinado eletronicamente com as provas de cada assinatura: quais arquivos foram assinados (com o hash de cada um), quem assinou (nome, CPF, e-mail, forma de validação da identidade, data, hora, endereço IP e aparelho), a linha do tempo completa e, quando houver, o selo digital da plataforma. É uma das formas de reunir as provas de autoria e integridade que a lei admite (MP 2.200-2/2001, art. 10, § 2º); assinaturas com certificado digital carregam a prova no próprio arquivo. Ler o Termo é conferir se essas provas batem com o que você esperava.

Um exemplo para acompanhar

Os dados a seguir são fictícios: "Contrato de prestação de serviços de manutenção", enviado por Oficina Modelo Ltda. a Ana Souza (contratante) e assinado também por Carlos Lima, sócio administrador da oficina, com Beatriz Rocha como testemunha. As seções e os nomes dos campos são os do Termo de Evidências do WS Sign; outras plataformas usam estruturas parecidas, com outros nomes.

Seção 1: Documentos

O que aparece: o nome de cada arquivo PDF do envelope, o número de páginas e o SHA-256 do original.

Campo do exemploValorO que prova
contrato-de-prestacao-de-servicos.pdf1 páginaQuantos arquivos e páginas foram assinados
SHA-256 do original4981335e72d1… (64 caracteres)A identidade exata do arquivo que todos leram e assinaram, antes de qualquer assinatura

Como conferir: o mesmo hash está impresso no rodapé de todas as páginas do documento. Se alguém apresentar um "original" diferente, o hash não bate.

Cabeçalho do Termo de Evidências com código do documento, solicitante, datas e conteúdo
Cabeçalho do Termo gerado no ambiente de demonstração do WS Sign, com dados fictícios.
Seção Documentos do Termo, com o nome do arquivo, o número de páginas e o SHA-256 do original
Seção Documentos: um arquivo, uma página e o SHA-256 do original.

Seção 2: Participantes

Para cada pessoa, um quadro com:

  • CPF informado pelo remetente e e-mail informado pelo remetente: os dados cadastrados por quem enviou. Quem assina confirma o CPF; se divergir, não assina.
  • Autenticação exigida: os fatores pedidos (código de uso único no e-mail; CPF).
  • Representação: quando a pessoa assina por empresa, o CNPJ, a razão social e a qualidade. No exemplo: "Carlos Lima assinou por Oficina Modelo Ltda., CNPJ 11.444.777/0001-61, na qualidade de sócio administrador".
  • Validação de identidade: "Código de uso único enviado ao e-mail, confirmado em 12/10/2026, 11:03:15" e "CPF conferido com o informado pelo remetente".
  • Assinou em (ou "Assinou como testemunha em", "Aprovou em"): data e hora.
  • Endereço IP e Dispositivo: por exemplo, "187.45.12.9" e "iPhone · Safari". No ambiente de demonstração das capturas abaixo aparecem o IP local e "dispositivo não identificado".
  • Etapa: a ordem em que a pessoa assinou (etapa 1, 2...).
Quadro de um participante no Termo, com CPF e e-mail informados pelo remetente, autenticação exigida, representação por empresa, validação de identidade, data e hora, IP e dispositivo
Quadro de um participante que assinou por empresa. Gerado no ambiente de demonstração, por isso o IP é local e o dispositivo não foi identificado.

O que isso prova: que alguém com acesso àquele e-mail, que conhecia aquele CPF, assinou naquele momento, daquele aparelho e daquele endereço de rede. O que não prova: que o e-mail não foi acessado por terceiro. Por isso a cláusula do contrato costuma atribuir a cada signatário a guarda do próprio e-mail, e por isso a plataforma registra IP e aparelho: numa disputa, esses dados são confrontados com a rotina da pessoa.

Seção 3: Linha do tempo

Uma tabela com data e hora, evento e pessoa, do envio à conclusão: "Envelope enviado", "Link de assinatura aberto", "Código confirmado no e-mail", "Documento visualizado", "CPF conferido", "Assinou", "Documento final gerado". Leia de cima para baixo e verifique a coerência: a pessoa abriu antes de confirmar, confirmou antes de assinar, e a conclusão veio depois da última assinatura. Um intervalo curto entre abrir e assinar um contrato longo é um ponto a examinar, não uma prova de irregularidade: o conteúdo pode ter sido negociado antes, por outro canal.

Linha do tempo do Termo, com data e hora, evento e pessoa, do envio à conclusão
Linha do tempo: cada etapa de cada participante, em ordem.

Seção 4: Selo de integridade (planos pagos)

Informa que, depois das assinaturas, a plataforma aplicou ao arquivo um selo digital com certificado ICP-Brasil, no padrão PAdES. O selo é da operadora da plataforma, não das partes: ele protege o arquivo contra alterações e aparece no painel de assinaturas de leitores que suportam PAdES, como o Adobe Acrobat Reader.

Seção 5: Integridade da cadeia de eventos

Mostra o hash final da cadeia: cada evento do histórico registra o hash do evento anterior, e o último valor é impresso no Termo e enviado às partes no e-mail de conclusão. Alterar, incluir ou remover um evento muda esse valor.

Seções Selo de integridade e Integridade do Termo, com o hash final da cadeia de eventos
Selo de integridade da plataforma e o hash final da cadeia de eventos.

Repare que o Termo não traz o hash do PDF final: um arquivo não pode conter o próprio hash, porque escrever o valor dentro dele mudaria os bytes. O hash do final fica registrado na plataforma e é conferido na verificação pública, enviando o arquivo. Mais sobre isso em o que o hash prova.

O que o Termo não prova

  • Que a pessoa leu e entendeu o conteúdo: prova que o conteúdo estava disponível na tela e que ela declarou concordar.
  • Que a pessoa tinha poderes para assinar pela empresa: a conferência do contrato social é de quem envia.
  • Que o contrato é válido no mérito: cláusulas abusivas continuam abusivas.
  • Que o e-mail era exclusivo da pessoa: o Termo registra o controle do canal naquele momento.

Como guardar e usar

Guarde o PDF final completo (documento + Termo) exatamente como recebido. Numa disputa, apresente o PDF, a tela da verificação pública com data e, se o juiz pedir, o histórico exportado da plataforma. O CPC, art. 411, II, considera autêntico o documento cuja autoria é identificada por meio eletrônico de certificação, e o Termo é como essa identificação se demonstra.

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um advogado para o seu caso.

Perguntas e respostas

Dúvidas sobre o tema

Posso remover o Termo do PDF para enviar só o contrato?

Pode, para leitura. Para arquivo e para eventual disputa, guarde a versão completa.

O que acontece se a plataforma deixar de existir?

O Termo é um PDF comum, o hash do original pode ser recalculado com qualquer ferramenta e o selo PAdES é verificável em leitores de PDF sem a plataforma. A verificação pública, essa sim, depende da plataforma e de a conta do remetente estar ativa.

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