
Um exemplo para acompanhar
Os dados a seguir são fictícios: "Contrato de prestação de serviços de manutenção", enviado por Oficina Modelo Ltda. a Ana Souza (contratante) e assinado também por Carlos Lima, sócio administrador da oficina, com Beatriz Rocha como testemunha. As seções e os nomes dos campos são os do Termo de Evidências do WS Sign; outras plataformas usam estruturas parecidas, com outros nomes.
Seção 1: Documentos
O que aparece: o nome de cada arquivo PDF do envelope, o número de páginas e o SHA-256 do original.
| Campo do exemplo | Valor | O que prova |
|---|---|---|
| contrato-de-prestacao-de-servicos.pdf | 1 página | Quantos arquivos e páginas foram assinados |
| SHA-256 do original | 4981335e72d1… (64 caracteres) | A identidade exata do arquivo que todos leram e assinaram, antes de qualquer assinatura |
Como conferir: o mesmo hash está impresso no rodapé de todas as páginas do documento. Se alguém apresentar um "original" diferente, o hash não bate.


Seção 2: Participantes
Para cada pessoa, um quadro com:
- CPF informado pelo remetente e e-mail informado pelo remetente: os dados cadastrados por quem enviou. Quem assina confirma o CPF; se divergir, não assina.
- Autenticação exigida: os fatores pedidos (código de uso único no e-mail; CPF).
- Representação: quando a pessoa assina por empresa, o CNPJ, a razão social e a qualidade. No exemplo: "Carlos Lima assinou por Oficina Modelo Ltda., CNPJ 11.444.777/0001-61, na qualidade de sócio administrador".
- Validação de identidade: "Código de uso único enviado ao e-mail, confirmado em 12/10/2026, 11:03:15" e "CPF conferido com o informado pelo remetente".
- Assinou em (ou "Assinou como testemunha em", "Aprovou em"): data e hora.
- Endereço IP e Dispositivo: por exemplo, "187.45.12.9" e "iPhone · Safari". No ambiente de demonstração das capturas abaixo aparecem o IP local e "dispositivo não identificado".
- Etapa: a ordem em que a pessoa assinou (etapa 1, 2...).

O que isso prova: que alguém com acesso àquele e-mail, que conhecia aquele CPF, assinou naquele momento, daquele aparelho e daquele endereço de rede. O que não prova: que o e-mail não foi acessado por terceiro. Por isso a cláusula do contrato costuma atribuir a cada signatário a guarda do próprio e-mail, e por isso a plataforma registra IP e aparelho: numa disputa, esses dados são confrontados com a rotina da pessoa.
Seção 3: Linha do tempo
Uma tabela com data e hora, evento e pessoa, do envio à conclusão: "Envelope enviado", "Link de assinatura aberto", "Código confirmado no e-mail", "Documento visualizado", "CPF conferido", "Assinou", "Documento final gerado". Leia de cima para baixo e verifique a coerência: a pessoa abriu antes de confirmar, confirmou antes de assinar, e a conclusão veio depois da última assinatura. Um intervalo curto entre abrir e assinar um contrato longo é um ponto a examinar, não uma prova de irregularidade: o conteúdo pode ter sido negociado antes, por outro canal.

Seção 4: Selo de integridade (planos pagos)
Informa que, depois das assinaturas, a plataforma aplicou ao arquivo um selo digital com certificado ICP-Brasil, no padrão PAdES. O selo é da operadora da plataforma, não das partes: ele protege o arquivo contra alterações e aparece no painel de assinaturas de leitores que suportam PAdES, como o Adobe Acrobat Reader.
Seção 5: Integridade da cadeia de eventos
Mostra o hash final da cadeia: cada evento do histórico registra o hash do evento anterior, e o último valor é impresso no Termo e enviado às partes no e-mail de conclusão. Alterar, incluir ou remover um evento muda esse valor.

Repare que o Termo não traz o hash do PDF final: um arquivo não pode conter o próprio hash, porque escrever o valor dentro dele mudaria os bytes. O hash do final fica registrado na plataforma e é conferido na verificação pública, enviando o arquivo. Mais sobre isso em o que o hash prova.
O que o Termo não prova
- Que a pessoa leu e entendeu o conteúdo: prova que o conteúdo estava disponível na tela e que ela declarou concordar.
- Que a pessoa tinha poderes para assinar pela empresa: a conferência do contrato social é de quem envia.
- Que o contrato é válido no mérito: cláusulas abusivas continuam abusivas.
- Que o e-mail era exclusivo da pessoa: o Termo registra o controle do canal naquele momento.
Como guardar e usar
Guarde o PDF final completo (documento + Termo) exatamente como recebido. Numa disputa, apresente o PDF, a tela da verificação pública com data e, se o juiz pedir, o histórico exportado da plataforma. O CPC, art. 411, II, considera autêntico o documento cuja autoria é identificada por meio eletrônico de certificação, e o Termo é como essa identificação se demonstra.
Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um advogado para o seu caso.